Teste: Mercedes-Benz GLC Coupé 250d: A ditadura do design

A moda coupé ameaça contagiar a classe SUV, com predomínio da forma sobre a função, e o GLC é a mais recente vítima. Mas será isso assim tão negativo?

Em 2004 a Mercedes teve a audácia de alargar o conceito ‘coupé’ às berlinas de 4 portas, com o CLS, e, mais tarde, foi a BMW a tomar a iniciativa na classe SUV, com o primeiro X6. Apesar do ceticismo e dos muitos narizes torcidos, a aceitação foi crescendo e a moda pegou, sobretudo nos SUV e crossover, onde a oferta é cada vez maior. É a ditadura do design, onde o estilo se sobrepõe à vertente prática, algo que parece preocupar cada vez menos compradores.

Em pouco mais de quinze anos, a evolução dos veículos 4×4 viu modelos ‘puros-e-duros’ ficarem rapidamente obsoletos, face à nova geração de ‘jipes ligeiros’. Depois, em finais de 2001, a Porsche lançou o primeiro Cayenne e, a partir daí, nada foi igual. A sucessão de lançamentos nos últimos cinco anos – versões 4×2 e 4×4, de todos os estilos e tamanhos – deixou atordoados os mais otimistas, e ser coupé nesta classe é apenas mais uma forma de estar.

Descubra as diferenças 

Quando a Mercedes renovou completamente a sua frota 4×4, com direito a nova nomenclatura, o GLK deu lugar ao GLC e, para não se deixar ficar atrás da BMW, a versão coupé tornou-se uma necessidade. No fundo, a questão é saber o que é que se perde face ao GLC ‘normal’? Cerca de 50 litros de capacidade de bagageira, mas em contraponto ganha-se fleuma, elegância, um estilo mais desportivo e uma postura mais baixa – em 6 centímetros. Acima de tudo, ganha-se atitude e elitismo, sendo propostas dirigidas a clientes de perfil diverso. Contudo, tudo isto tem um preço, que se cifra em cerca de mais 4.000 euros, face ao GLC ‘normal’. Para aprimorar ainda mais a receita, a nossa unidade de ensaio comportava o Pack AMG (3.750 €) com estribos laterais (600 €), tudo rematado com jantes de 20 polegadas AMG – que adicionam à conta 1.050 €.
Talvez o volume da bagageira, nomeadamente em altura, seja um fator decisivo, sobretudo para quem precise de carregar frequentemente objetos de maior volume acima do nível da chapeleira. Mas o GLC Coupé rebate facilmente os bancos – bastando usar o comandos elétricos junto às portas traseiras – para se poder usufruir de um espaço mais modular, que pode chegar aos 1.400 litros.
A habitabilidade traseira não sofre muito com a linha descente do tejadilho, sem grandes queixas na altura, sendo boa em largura e na área para joelhos.
O rigor de montagem e o requinte dos excelentes revestimentos de pele com pespontado branco satisfazem os mais exigentes, com a nossa unidade de ensaio a incluir aplicações de madeira de freixo escura (350 €).

Comportamento ágil 

No capítulo dinâmico, o GLC Coupé é mais apurado que o seu irmão, graças à suspensão rebaixada. O opcional AIR BODY CONTROL (suspensão pneumática: 2.350 €) eleva ainda mais a sua competência, tanto em conforto como em controlo de carroçaria, podendo aumentar a altura ao solo em caso de necessidade. Contudo, não tem grande vocação para fora-de-estrada. Pelos ângulos TT mais favoráveis e pela possibilidade de adotar o Pack Off Road – que inclui proteções inferiores, Hill Descent Control e modos de condução TT –, esse papel está reservado ao GLC ‘normal’. Em estrada, o Coupé é mais ágil, com uma resposta mais pronta às ordens do volante (tem direção mais direta) e com maior consistência em apoio, permitindo curvar a velocidades elevadas em plena segurança e com menor tendência subviradora que o seu irmão. Os modos de condução “Eco”, “Comfort”, “Sport” e “Sport+” ajustam as configurações do acelerador, caixa, climatização e suspensão, permitindo moldar o feitio deste SUV à vontade do momento. “Comfort” e “Sport” cobriram a generalidade das situações, mais pela diferença na dureza de suspensão em zonas urbanas. Se tivéssemos de atribuir uma palavra ao comportamento do GLC Coupé, ‘souplesse’ seria o termo correto, dada a forma pouco esforçada como se mexe, tanto a ‘serpentear’ por estradas sinuosas como a ‘navegar’ autoestradas a velocidades de cruzeiro.

Esta versão 250 d é movida pelo ‘experiente’ bloco 2.143 cm3 de quatro cilindros, que, apesar da idade, continua a prestar bons serviços, tanto em pujança como em economia. Agora casado com a nova caixa automática 9G-Tronic, de 9 relações, as prestações continuam a ser um ponto forte, movendo com convicção os 1.845 kg deste SUV, sem prejuízo para os consumos. Obtivemos médias em autoestrada abaixo dos 8 litros, mas conjugando isso com cidade e arredores, a média final ficou-se pelos 9,3 l/100 km, o que inclui também troços de condução mais empenhada.

CONCLUSÃO

Mais do que satisfazer, o GLC Coupé agrada pela forma envolvente como nos acolhe e pela experiência dinâmica que proporciona, qualquer que seja o cenário. Tem maior demarcação face à concorrência que seu irmão GLC.

Texto Bernardo Gonzalez

Fotos Paulo Calisto

FICHA TÉCNICA

MERCEDES GLC COUPÉ 250 D 4MATIC

TIPO DE MOTOR — Diesel, 4 cilindros em linha, turbo

CILINDRADA — 2.143 cm3

POTÊNCIA— 204 CV às 3.800 rpm

BINÁRIO MÁXIMO— 500 Nm entre as 1.600 e as 1.800 rpm

VELOCIDADE MÁXIMA— 222 km/h

ACELERAÇÃO— 7,6 s (0 a 100 km/h)

CONSUMO— 5,0 l/100 km (misto)

EMISSÕES CO2 — 131 g/km

DIMENSÕES (C/L/A)— 4.732 / 1.890 / 1.602 mm

PNEUS— 225/45 R20

PESO— 1.845 kg

BAGAGEIRA— 500 l

PREÇO— 61.450 €

 

Fonte: Revista Carros